Gerente da INB é investigada por recusar candidato aprovado em concurso público: ‘Além de preto e viado, deve ser petista’

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A Polícia Civil e o Ministério Público estão investigando uma denúncia de injúria racial e transfobia na Indústrias Nucleares do Brasil (INB). A queixa diz que uma gerente teria recusado um candidato aprovado em concurso público por ele ser negro e transgênero.

O caso teria acontecido na unidade de Resende (RJ), no dia 13 de setembro. Na ocasião, segundo a denúncia, a mulher teria feito comentários preconceituosos durante conversa com outra funcionária, quando soube da convocação de um candidato da lista de aprovados de pretos e pardos, conforme norma vigente da política de cotas do concurso.

O candidato, ainda de acordo com a denúncia, já tinha entrado em contato com a empresa para avisar que havia alterado seu nome civil para o sexo masculino, sendo, portanto, um homem trans. Quando se inscreveu, ele se reconhecia como do gênero feminino.

“Além de preto e viado, deve ser petista”

1 de 1 Registro de ocorrência sobre a gerente da INB que teria cometido injúria racial e transfobia — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Registro de ocorrência sobre a gerente da INB que teria cometido injúria racial e transfobia — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Conforme o relato da denúncia, feita pelo Sindicato dos Mineradores de Brumado e Microrregião, a mulher teria se revoltado, aos berros, e começado a proferir os xingamentos para referir-se ao candidato, indo reclamar da contratação diretamente com o setor de Recursos Humanos.

Ainda segundo os relatos, uma outra funcionária tentou intervir, pedindo para que ela focasse apenas no critério técnico. No entanto, as reclamações teriam prosseguido.

A gestora, acusada pelas denúncias, teria dito também que a contratação traria vergonha à empresa e que o concursado seria demitido após cumprir os três meses do período de experiência.

“Nós procuramos as testemunhas, eles confirmaram todos os fatos, todas as agressões e se sentiram extremamente ofendidas. Entre essas testemunhas, inclusive, existem algumas pessoas que são negras”, contou o vice-presidente do Sindicato do Mineradores de Brumado e Microrregião, Lucas Mendonça.

A Comissão de Ética da empresa passou a analisar o caso desde que a denúncia foi feita. Procurada pela TV Rio Sul, a INB informou nesta quinta-feira (29) que decidiu pelo afastamento temporário da empregada do cargo.

Em nota, a estatal afirmou que “não coaduna com nenhum ato de discriminação de gênero, identidade sexual, raça e etnia, condição física, classe social, procedência geográfica, estado civil, idade, religião, cultura e convicção política”.

A empresa informou também que o funcionário irá assumir o cargo para o qual foi aprovado, começando a trabalhar na semana que vem.

Questionada sobre as declarações preconceituosas, a mulher declarou que “foram prestados esclarecimentos aos órgãos competentes internos da empresa e aguardará que seja finalizada a apuração total dos fatos para realizar qualquer tipo de manifestação”.

VÍDEOS: as notícias que foram ao ar na TV Rio Sul

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